A seleção brasileira feminina de
Vôlei está nas semifinais dos jogos olímpicos de Londres. Nesta terça feira (7)
o Brasil venceu a Rússia, de virada, após salvar seis match – points, por 3
sets a 2 (24-26, 25-22, 19-25, 25-22 e 21-19). O time verde e amarelo segue na
busca pelo bi campeonato da competição. O próximo adversário será o Japão, que
passou pela China pelo mesmo placar.
Para a maioria dos seres humanos, dor significa ódio, e ódio
significa vingança. A mais nefasta das sensações; alimenta-se do prazer mórbido
do sadismo. Somos suas vítimas, seus reféns; encarcerados indelevelmente pela
sua prática. Jamais iremos nos separar de algo que está fincado em nossa
essência. No esporte, ao contrário da vida, a vingança não é carregada da
carcoma do ressentimento; as injúrias são limitadas ao universo paralelo dos
campos e o rancor é nutrido apenas por vibrações, gestos e pancadas na bola. Volúpia
do aborrecimento!
De lados opostos de uma quadra estavam dois inimigos mortais.
Uma raiva velada, é verdade, nenhuma delas, porém, ousaria negar tamanha
obviedade. Separadas por uma rede de angústias, frustrações e um desejo
insaciável e reprimido, brasileiras e russas protagonizaram uma das mais belas
páginas da história olímpica. Vamos confabular a respeito de um sentimento...
Oito anos, alguns novos embates e o brilho dourado de um
triunfo... Nada disso foi suficiente! Nem mesmo uma medalha ou a força
consoladora do tempo foram capazes de saciar a nossa insanidade. Nada nesse
mundo poderia nos redimir de nossa consciência, se não estivéssemos diante do
mesmo cenário de outrora. Todavia, dessa vez não poderíamos perder, e, se
possível, gostaríamos de vencer com o mesmo requinte de crueldade que nos foi
imposto. Voltemos um pouco no tempo...
Pobres seres humanos! Somos apenas réus inconfessos do
escárnio e da arbitrariedade do destino. Em Atenas, fomos da euforia à
desilusão; a plena certeza de vitória transformou-se em um mero devaneio, e as
esperanças se esvaíram como aquele maldito 24 a 19. Perdemos envolvidos num véu
de um pesadelo minucioso. A cada bola que caía, o desespero enchia-nos os
olhos. Fez-se o pranto e o inconformismo.
Passado que lacera e julga. Adentramos aquele solo vermelho
sob a sombra da desconfiança e a nostalgia do insucesso. Enfrentaríamos antigos
algozes; defrontaríamos síndromes e tentaríamos apagar todas as arestas. Uma legião
de Ovas se postava em nosso caminho; verdadeiras máquinas; impiedosas e
eficientes. Cortina de ferro inimiga que era protegida por gigantes, que adoram
nos massacrar. A perda do primeiro set parecia reavivar traumas indesejados.
Gamova, Sokolova, Goncharova... Hoje não!
Nossas jogadoras são diferentes: desprovidas de tanta força,
mas são bravas e destemidas; não são as mais altas, mas se engrandecem diante
das adversidades; não resplandecem a gélida sisudez das insensíveis, no
entanto, possuem o ardor da chama de uma alma vilipendiada.
Um jogo, uma guerra épica e doze combatentes armadas e
uniformizadas. A cada virada de ponto, um turbilhão de emoções se sucedia.
Cinco longas etapas seria a linha tênue entre a glória e a frustração. Veio a
vitória!
Durante seis momentos, vivemos mais uma vez na iminência da
tragédia. Contudo, pela mágica de mãos virtuosas, sobrepujamos todos os match
points, os obstáculos e exorcizamos todos os fantasmas. Defendem, pulam,
cortam... Flutuam sobre o solo; fagulha de ódio que se evaporou frente ao
encantamento. Jaqueline, Sheila, Fabi, Dani Lins e Fabiana. Lembrai-vos dessas
guerreiras!
POR: Otávio
Camilo
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